que sorriso doce tem essa mulher
menina
grande, grande, grande e mãe
que coração amoroso, olhar carinhoso
e abraço aconchegante
que sorriso doce tem essa mulher
que não larga da menina
criança
e de ser feliz não arreda o pé
não abre a mão
não fecha o sorriso
e que sorriso... doce!
terça-feira, 10 de novembro de 2015
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Um brinde ao copo com a gota d'água
O culpado não seria o tempo. Não seria a casa, nem a rua, nem a cama desarrumada, a louça mal lavada, o jantar para ser feito. Não seria a vizinhança, a culpada. Não seria a tia, o avô, a amiga, o amigo. Não seria a mulher, não seria o filho, não seria o pai. Não seria a cidade que é pequena, a vida que é de todos, a vergonha que é alheia. Não seria o exemplo, não seria o ícone, não seria nada a não ser o alvo e a gota d'água. E o copo, o cálice, o sangue, o medo, o terror. Não seria o tempo, o culpado, mas não seria, senão, o próprio tempo a receber a culpa: do leite derramado, da tempestade no copo de água ou de sangue que transbordaria um nada, que inundaria vidas e mudaria rotas e transformaria vários tudos.
O culpado não seria o tempo por conceder tempo para ver. Não seria culpado por ouvir, não seria culpado por falar. Seria por viver? Não, não... Não seria culpa do tempo, a não ser que fosse o tempo jogado fora por não saber o que fazer com o copo que transbordava vários nadas e derramava a tempestade. E, sendo assim, o culpado seria você.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Seria, pois, a porta.
Emperrada, diga-se de passagem.
Passagem
estreita, vale ressaltar.
Seria,
pois, a porta. Madeira firme e antiga, valiosa, vaidosa, ruidosa, alta.
Seria a
porta, a grande causadora do mal entendido? Triste sonhadora de sacadas, de
imagens (belas), de ilusões que se passavam na janela estreita da casa. De tudo,
a porta emperrada deixava passar. Não é possível que não fizesse exigências,
tudo que é porta nesse mundo costuma fazer um tanto vário de perguntas antes de
deixar quem quer se seja se aproximar. Seria, pois, a porta?
Limitada
aos olhos crus, vestidos de poeira da calçada, cinzentos. NUS. A porta recebia
todo tipo de visita. E todo o tipo de visita entrava, acomodavam-se no sofá.
CAFÉ, LEITE, CHÁ, UM SUQUINHO, REFRESCO, NÃO É POSSÍVEL. NADA? Querida mãe, diz
sempre, quem oferece não quer dá. Quero não mesmo... Seria, pois, a porta? Ou a
janela, quem sabe não seria?
Seria quem
a causadora ou causador
do grande
e mal
entendido?
Seria,
pois, a porta?
Não é possível.
Embalar
A PORTA SE ABRE:
dois corações
permissão de morada
É tudo extensão
do acaso
do riso
do abrigo
da casa
do amigo
da alma
da janela
dos laços
e embalos
da vida
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Comodismo
Onde está você que não está aqui
Que não aparece
Que não dá notícias
Onde está você que sumiu
Que fugiu
E fingiu não ter visto
Onde está você que não responde
Que nem sabe meu nome
E não está aqui ao lado
Onde está você que não aparece
Não escuta minhas preces
Onde está?
Onde está você que há de ser
Que não é possível que demore tanto assim
E que se esconde e se esconde e se esconde
Só para eu não ver
Onde está você que não está aqui
Que não sabe de mim
Nem eu de você
Onde está você que eu não vejo
Que está por aí
Que anda não sei por onde
Que se chama não sei quem
E que nem existe
Será?
Que não aparece
Que não dá notícias
Onde está você que sumiu
Que fugiu
E fingiu não ter visto
Onde está você que não responde
Que nem sabe meu nome
E não está aqui ao lado
Onde está você que não aparece
Não escuta minhas preces
Onde está?
Onde está você que há de ser
Que não é possível que demore tanto assim
E que se esconde e se esconde e se esconde
Só para eu não ver
Onde está você que não está aqui
Que não sabe de mim
Nem eu de você
Onde está você que eu não vejo
Que está por aí
Que anda não sei por onde
Que se chama não sei quem
E que nem existe
Será?
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Doce, chovia
De alma lavada. Roupas molhadas, cabelos molhados, corpo com frio. Chovia naquele dia, no dia que choveu. Era um verão com toques de inverno. O calor emanava de seus abraços e risos que, não sei porque, gargalhavam. A música tocava ao fundo, toque profundo, e chegava na alma serena, ardente, leve, leve, leve...
Chovia naquele dia, dentro e fora de casa, da tal casa. Dessa vez, deixou-se molhar.
- CHOVE!, gritava. E chovia. Como nunca se viu antes.
Foi para o meio da rua que se dirigiu, não importava o resfriado que viria, as reclamações da mãe ao chegar em casa, os olhares curiosos de alguém que via a cena.
- CHOVE!
E a música tocava ao fundo e tocava na alma. Serena! Doce! Pura!
Os braços se abriam, como que para receber as bençãos que vinham do céu - CHUVA! - e giravam.
Rodopiava alegre, cantante. E ria, como ria...
De alma lavada. No meio da chuva, aos rodopios, docemente transbordava.
E ria... como ria...
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Variedades
vários pontos
tantos pontos
muitas e tantas exclamações
vários pontos
tantos pontos
tantos pontos
vários
muitas e muitas exclamações
vários pontos
vejo tantos
e tantas
e tantas
mas tantas são as pontuações
vários pontos
vários
vários nadas
nadas em variedades
vários pontos
dois pontos
só ponto
só nadas
vários
vejo pontos
são vários
tudo
tantos pontos
muitas e tantas exclamações
vários pontos
tantos pontos
tantos pontos
vários
muitas e muitas exclamações
vários pontos
vejo tantos
e tantas
e tantas
mas tantas são as pontuações
vários pontos
vários
vários nadas
nadas em variedades
vários pontos
dois pontos
só ponto
só nadas
vários
vejo pontos
são vários
tudo
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