quarta-feira, 22 de julho de 2015

Ao amor que é teu

Em tuas mãos coloco o teu amor
Guarda com carinho, meu querido
Ele é teu
O meu amor está em mim
Guardo com todo afinco
E rego todos os dias
Ele sou eu

Guarda com carinho, meu querido
Esse amor que é só teu
Guarda bonitinho
Todo engomadinho
Passado a ferro quente
E te dado de presente
Por nosso amor que nasceu

Fique sabendo que o teu amor é teu
Meu amor é meu
E juntos, eles são nossos
Saiba mais, benzinho
Que meu amor lhe tem muito carinho
Que está todo apressadinho
Só esperando uma brecha do seu

Teu amor é teu
Meu amor, sou eu
Sou eu quem te dá o meu
O meu amor de paz

Teu amor é meu
Meu amor, só eu
Só eu é quem pode te dar mais

Teu amor é meu
Meu amor é teu
Teu amor é teu
Meu amor, sou eu
Só eu 
Só eu e você
(e o amor que é nosso)


sábado, 18 de julho de 2015

Atemporal

Do tempo.
Amigos do tempo
Amores do tempo
Coisas do tempo
Em cada tempo... 
São ciclos.
Hora ou outra o tempo volta e acontece de se reencontrar.
Reencontro da vida 
do acaso
do tempo, mas não temporário
Sem domínio
Sem tempo
do tempo.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Previsão do tempo

A luz solar atingiu a janela predial logo cedo. Abrir os olhos após uma longa noite de sonho foi uma tarefa árdua. O sol queimava as bochechas ao tempo que deixava seu recado: mais um dia. Aconcheguei vida no abraço de um céu azul, o travesseiro era incômodo demais. Os jornais espalhavam a notícia: O tempo é firme nessa região de país. Faz sol durante toda a noite, nenhum indício de chuva para a tempestade que se aproxima. 
Estou certa de que os ventos sopram a favor.
Do lado de cá da janela predial os dias se recusam a dormir tão depressa, prolongam seus horários e anunciam as noites insones. Do lado de lá, o sol já nasce poente e ridiculariza da lógica não observada. 
A luz transpassa a cortina embebida do amargor cinzento dos dias em que não se fabricava sol. Os pássaros anunciam algo que não consigo traduzir... Novos tempos, há de ser. A vida espalha sorrisos em nuvens carregadas e, mais uma vez o jornal avisa: O tempo é firme nessa região do país. É certo que precisará aprender a nadar, esteja preparado: não chove água, mas transborda sentimentos. Um nado em falso e poderá se afogar.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Tragicômico, óbvio

Comediante e ande é ante, anti comédia
Síndrome de tragédia  e ante, anteposição
Caminha sobre o ar aquilo que não está sob o chão
Flutua risos e tantas inconstâncias catastróficas
Comédia adiante
Ande, farsante

Contar-lhe-ei o tragicômico:
Desde que homem nasceu, nasceu e enfim cresceu. Cresceu e morre todo dia - seja noite, seja dia - , é preciso dizer que morre e permanece, mal tarda e anoitece, a lua sobe e o sol desce e o homem, permito-me ressaltar: cai em preces.  E desde que o homem cresce e todo o dia falece, muda e avessa, e ri, mas desconcerta. É certo dizer que a vida é uma tragicomédia e o teatro se faz em palco cotidiano: riram gregos, sofreram troianos. Ou é o oposto do que está dito? Ou não o digo? O que está certo, é que desde o homem nasceu vive em desgraça, ri alto em praças, grita loucuras e poemiza-se em amor. Desde que nasceu, todo homem é um pouco Romeu, toda mulher é Julieta e nenhum dos dois sobrevive ao final, porque, desde que nasceu, o homem enfim cresceu e traça sua história: histórias loucas, melancólicas, amor versos de ódio, sangue e bandeira branca, bigodes de Hitler, chicotes em costas de negros, romances em palcos e beijos apaixonados. Mas desde que nasceu, está certo que o homem cresceu e não importa o que faça, se chore ou elabore graça: o homem morre todo dia, seja noite, seja dia, de infarto ou anemia, até mesmo poesia. O que está certo é que morre, não tarda e anoitece. 
Tragicômico, não?

(para meu Amigo Anônimo - desafio da palavra)

domingo, 12 de julho de 2015

Ponto continuativo. Em frente...

Tolice alguma pensar no passado já não tão distante, virou-se do avesso e teve acesso ao ex passageiro. Retornou com afinco, emergiu de sabe Deus onde. Fugiu das sombras escuras e pretéritas, recorreu à luz do presente. Tolice não pensar em confusão. O regresso vem em dose dupla, os sentidos se aguçam e emanar sossego é questão urgente! Dissolve a paz, caleja o amor. É impreciso decifrar. 
Retorna o ex passageiro, zombeteiro, não há de fazer morada. Ainda que teime confundir, já ouve conhecimento de si. O antídoto está mais forte, não mais vulnerável como de princípio. 

[Criou-se muro em frente ao jardim.
Rocha impermeável]

O regresso é fiel à solução - compromisso de honra! Já passa da hora de caminhar, à frente está o futuro e as questões estão resolvidas logo atrás. Autoriza a partida, não há freio. O ex passageiro se desloca aos fundos, longe se vê - turvo - seu "ir embora".

[Adeus, passageiro não querido]

Tudo está acertado, decidido, terminado. Turbulência já passou.
O muro está firme e forte, compreende melhor os eventos e suspira com leveza.
Marchar para frente!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Eu reviro, tu revira, nós reviramos os olhos e o mundo acaba perdido.

revirou os olhos como gesto de reprovação. Não bastasse todos os desamores que vinham lhe sendo ditos, era obrigada a permanecer calada. Calada ficava. Oras! Desde sempre, aprendeu que só se deve abrir a boca, antes de tudo, para falar algo que seja digno da inteligência que nos é atribuída. Se ouvia algo que não lhe agradava, ficava aos nervos! Precisava falar, precisava retrucar, precisava responder à altura! Mas sempre foi repreendida: Você é nova para entender, fique quieta. Conversa de adultos. Não, não é assim. Não foi isso que lhe ensinei. Pode? Não, não pode! Ouça primeiro...  Pavores!!!!!! Acabou foi abrindo mão de suas falas, percebeu que, mesmo tendo algo inteligente a falar, nem sempre seria ouvida. Achava era um horror isso de só ouvir o que bem quer, isso de só falar o que for conveniente, aquilo de ser sempre os outros e nunca ela mesma. Mania desgraçada de inventar um novo eu, sendo que ela mesma era só ela. Pensava isso e aquilo e queria isso e aquilo, não concordava nada com aquilo e isso, mas não repreendia, compreendia, respeitava. Cada qual com sua opinião. Cada um a seu modo. Todo mundo aqui é grandinho. 
só não podia deixar de opinar sobre os assuntos, se falar era pecado e não falar era sinônimo de concordância: revirava então seus olhinhos. À toda mentirinha ilusória da mídia: revirava os olhinhos. À toda conversinha sem pé nem cabeça: revirava os olhinhos. À cada nova fofoca da vida de Fulana, do tal escândalo de Ciclano, da violência sem limites de Beltrano: revirava os olhinhos. À cada gesto de impaciência, intolerância, hipocrisia: revirava os olhinhos. Está certo que não era nenhum pouco imune à defeitos, os tinha (alguns em demasia), mas os desprezava. E assim tentava melhorar. 
acontece que deixou de opinar. É preciso dizer que o fato de só revirar os olhinhos tornou-a um ser não atuante, não presente. O fato de só revirar os olhinhos, acabou deixando-a sem voz. O fato de só revirar os olhinhos, acabou fazendo com que fosse, somente, mais uma. Mais uma que não faz nada (além de revirar os olhos, é claro). Esqueceu-se da balança, do equilíbrio fundamental, dos aprendizados que "desde sempre, aprendeu que...". Acabou que deixou de revirar seus olhinhos, o mundo tornou-se um pequeno grupo de pessoas e coisas que giravam ao seu contorno e só. Pouco importava se o mendigo lá do outro lado do país fosse morto e violentado por um grupo de jovens, se não sei quem estivesse passando fome, se a saúde estivesse precária, se a educação podia melhorar, se, se, se, se... Tanto "se"! Foi então que seu revirar de olhos deixou de fazer sentido. Se o problema não era seu, não tinha nada a ver. Falava o que fosse conveniente. Se isso era certo, se aquilo não é da minha conta, se eu não posso fazer nada, se... Acomodou-se. É preciso dizer que, sempre que seus amigos a alertavam da sua acomodação, da sua ausência crítica, do seu: "tô nem aí", ela ficava chateada, comunicava que estava cansada, que problema todo mundo tem, que é assim mesmo e depois piora, que a gente tem que se acostumar, calar e consentir, que falar não adiantava mesmo e não tinha mais nada para fazer... então: revirava os olhinhos...

terça-feira, 7 de julho de 2015

Amor, bendito amor...

Bendito seja esse amor que invade, faz do corpo sua morada, alaga toda a casa, acha pouco  e quer transbordar. Tanto amor assim não é imprudência, não me enche de exigências. Quer, somente e tanto, que não o deixe desperdiçar. Explique-me como faz para tão grande amor permanecer, relato do meu e em você, e você "visse" e versa. Explique-me o segredo de amar tanto e assim, com tamanha intensidade uma ideia bonita que se deixa habitar. Explique-me e admita, admita que a resposta complica e não é fácil de agradar. 
Bendito seja o amor que existe, faz poesia em verso triste e vê beleza em cada luar. Explique-me toda essa loucura: amor nenhum é cura, mas é fácil de matar. Mata-me cem vezes e em todas as cem hei de amar!
Bendito seja o amor que cria asas e permanece, sabe voar em céu terreno, nega todo o inferno horrendo que o faça acabar. Tal amor está firme e forte, sólido e resistente, mas você aparece... começa então o desabrochar. Veja só que amor displicente, totalmente desobediente, acabou de derreter. E, mesmo derretido, permanece e só evapora ao amanhecer. 
"Onde está o meu amor? Erá sólido e líquido virou, virou gás e flutuou. Desistiu tão fácil assim?"
Então o amor troveja, grita um raio ao pé da ladeira e gotas de chuva começam a cair. 
Bendito seja o amor que inunda!
Bendito seja quem o deixa entrar e transbordar!
Amor, você voltou...! Tão bendito, meu amor... 
Há muito espero chover para poder dançar, por todos os lados vem chuva.
Vem, amor! Inunda... Faz da minha casa o seu lar e de mim o seu lugar. 
Bendito seja, amor!