Tudo que passa pequenininho
Passa lento e devagarzinho
Não espera ser o que não há de.
Tudo aquilo que passa
Passa e um dia vem
Retorna em forma de brasa
E está longe de assumir o desdém
Cria-se laço
Afoga-se por acaso
Ressuscita e é só
Vem em forma de brasa
Tudo aquilo que passa
Mas que um dia permaneceu
Não é gira-gira
É vai e vem que lembra e retorna
Cansa e recua
Tudo que é pequenininho
Passa em desalinho
Ao acaso
Por mero des-agrado
Tudo que é
É verbo inconstante
Estar e não estar
O português não abrange
Há muito o que saber
E tudo que é pequeno
Passa
Leve e com graça
Suaviza nos acordes da manhã
Tudo que é pequeno
É calmante
Simples e aconchegante
Todavia
Hoje é estar e amanhã não estará
Tudo que é pequeno, é grande
Fica além do real
´
É pequeno, somente pela inconstância do estar
Tudo que é pequeno
Passa
Primeiro, ao meus olhos
Sem nenhuma graça
Em segundos, eu que passo
e re-conheço
Me viro pelo avesso e mudo o canal para ser estar
Tudo que é pequeno
Torna-se grande
Aos olhos, almas gigantes
E o coração, em um leve acelerar...
segunda-feira, 6 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
todo ponto é um barulho
Esse
barulho é inconsequente, confesso que não me é diferente daqueles tantos
silêncios que já ouvi. Espere ao menos que consiga desembaralhar as palavras,
colocá-las na ordem correta, pegar o
dicionário e tentar decifrar esses inúmeros
acontecimentos que estão amontoados por aqui, aqueles que ainda estão por vir
ou simplesmente se deixam levar... O barulho é barulhento, não me é prazeroso e
pouco tenta agradar. Na verdade nem agrada, quer mais é atenção, barulho mais
sem noção... por aqui não quero que se deixe habitar. Ainda que dê uma pausa
com esse barulho todo, o silêncio que se faz não me é convincente, muito menos
conveniente, só mais um barulho a “barulhar”. Você acha que só se faz barulho
aos gritos, juro que não acredito... Como se deixa enganar? Espere ao menos eu
pegar o dicionário, procurar por um sinônimo no real vocabulário, encontrar
alguma explicação. Toda essa conversa não é crise de coração ou uma rima a mais
com a palavra anterior. Você nunca entenderia, jamais conseguiria compreender o
que nunca se explicou. Não se explica o que não se sabe, o que está confuso e é
indiferente, não é bicho, nem é gente, é sentimento e deve estar carente.
O dicionário vem surpreendentemente e diz que de algo necessita, mas não me
venha com coisas restritas, o mundo é mais do que isso aqui. As coisas estão
amontoadas e todos gritam, o silêncio que se faz é ensurdecedor. Dê um stop,
uma pausa breve, um momento pra descansar. Espere eu pegar o dicionário, me dê
mais um que horário, não me deixarei levar. Existe coisa nesse silêncio todo,
grita menos um pouco, mas ainda assim dá para ouvir. Espere que eu entenda o
que acontece, se faz necessário algumas preces e confesso: dicionário algum
traduz isso aqui.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Um história de reticências...
O tempo passou de repente, foi passando
diferente, Passarinho me contou...
Passou que nem viu, que nem vi e você nem
notou...
É tudo um pouquinho confuso, repare que não te
acuso, mas me responda, faça o favor:
- O tempo tem andado injusto ou você que nem andou?
- É esse tempo que anda aflito ou você, meu
amigo, que muito mudou?
Sua resposta eu nunca tive, mas Passarinho me
disse que o tempo te perdeu.
Eu disse:
- Passarinho, me recuso a acreditar,
como que o tempo perde quem nunca se deixou achar?
E o pássaro ficou confuso, não sabia o que responder,
quis escrever uma poesia para conseguir entender, mas esqueceu-se que pássaro não
sabe ler nem escrever.
Até Passarinho, que pula de ninho em ninho quis
ter uma razão.
Eu também queria, mas não podia entender nada
que não fosse de coração.
O Pássaro perguntou o que fazia, eu disse que
não sabia, mas que podia ajudar. Podíamos cantar juntos, colorindo nosso pequeno
mundo e vendo o tempo passar...
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Pontuei amor em uma ideia bonita
Você é bonito em meus pensamentos
Parece bonito fora deles
E espero que seja ainda mais em seu coração
Sua ideia de ser belo é bonita, mas não mais que a minha ideia bonita que é bonita... mas que não passa disso. Não passa, porque é só uma ideia. Idealizei, eu sei. Você parece convite deixado em aberto para ser feliz com uma ideia bonita, que não sou eu, mas que é minha ideia. Costumo ser feliz com ideias bonitas, assim como quando invado o transporte, escolho meu assento e espero meu destino, ao tempo em que preparo a trilha sonora para o trajeto dos meus sonhos e as cenas que seguem a cada ideia bonita que faço quando o tenho por perto, digo, em meu coração. Entendo que não passa de uma ideia simples, feliz e vaga, mas ainda assim é uma ideia...
Sua ideia de ser belo é bonita. No entanto,
a minha é ainda mais. (é só uma ideia)
sábado, 13 de junho de 2015
Arco de cor, ponto exclamação.
Estou colorindo um painel preto e branco que continua preto e branco, mas colorido. A moldura do quadro é subjetiva e todo o sentimentalismo está implícito em cores negras que na opinião de alguns olhares externos, são só negras. Misturo ao branco e faço um arco, e sua íris controla a entrada de luz, reflexão em cores. O prego que sustenta a moldura, não se vê. Não se vê, porque é cor e está negro. A cor que aparece no painel é colorida aos meus olhos, eu vejo cor e você enxerga somente o branco e preto, o óbvio, o retrato, o que se quer alcançar - nada de profundezas ocultas!, grita - mal sabe que tudo é perto da obviedade, dentro dos limites do subjetivo. É branco e preto e preto e branco, é luz na íris e sua visão que vai longe. Até onde se enxerga é até onde se quer enxergar. Espero preto e branco e me aparece mais do que espero, porque preto e branco é o assombro de cores que se mostram e se escondem quando cansadas.
terça-feira, 9 de junho de 2015
Olhar sem ponto final
Olha-me devagar
Devagarzinho
Assim, como quem quer algo
Quer e não sabe
Olha-me devagarzinho
De vagar pelos meus olhos
E fixando-me aos seus
Olha-me devagar
De modo que me olhe
Devagarzinho...
Devagarzinho...
E muito mais do que aparento (ou mereço)
Olha-me devagar
Devagarzinho
Tem algo a mais
Olha-me
Olha-me cativo
E cativante eu serei
Olha-me devagar
Devagarzinho
Sem pressa
Sem conversa
Olha-me
Não desvende (nem tente!)
Não conclua
Olha!
Me olha!
Olha a mim!
Sem pressa
Devagarzinho...
Olha-me.
E tenha paciência
sábado, 6 de junho de 2015
Fala sem ponto
Falem dos
amores arredios, dos corações frios, gélidos de tanto amar. Falem das moças
alvoroçadas que correm pelas calçadas quando veem um moço bonito chegar. Falem
da vizinha que se mudou segunda, que casou na terça e separou na quarta, só por
causa do seu bem estar. Falem das crianças que brincam nas ruas, dos rapazes
que desejam que as meninas sejam suas, dos relógios e relógios que batem sem parar. Falem
de Maria, de Joana, de José, Fulano e Cicrana, falem por falar. Falem que eu
nem ligo, de todo mal eu abdico, podem continuar a falar...
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