quinta-feira, 25 de junho de 2015

Um história de reticências...

O tempo passou de repente, foi passando diferente, Passarinho me contou...
Passou que nem viu, que nem vi e você nem notou...
É tudo um pouquinho confuso, repare que não te acuso, mas me responda, faça o favor:
- O tempo tem andado injusto ou você que nem andou?
- É esse tempo que anda aflito ou você, meu amigo, que muito mudou?
Sua resposta eu nunca tive, mas Passarinho me disse que o tempo te perdeu.
Eu disse: 
- Passarinho, me recuso a acreditar, como que o tempo perde quem nunca se deixou achar?
E o pássaro ficou confuso, não sabia o que responder, quis escrever uma poesia para conseguir entender, mas esqueceu-se que pássaro não sabe ler nem escrever.
Até Passarinho, que pula de ninho em ninho quis ter uma razão.
Eu também queria, mas não podia entender nada que não fosse de coração.
O Pássaro perguntou o que fazia, eu disse que não sabia, mas que podia ajudar. Podíamos cantar juntos, colorindo nosso pequeno mundo e vendo o tempo passar...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Pontuei amor em uma ideia bonita

Você é bonito em meus pensamentos
Parece bonito fora deles 
E espero que seja ainda mais em seu coração

Sua ideia de ser belo é bonita, mas não mais que a minha ideia bonita que é bonita... mas que não passa disso. Não passa, porque é só uma ideia. Idealizei, eu sei. Você parece convite deixado em aberto para ser feliz com uma ideia bonita, que não sou eu, mas que é minha ideia. Costumo ser feliz com ideias bonitas, assim como quando invado o transporte, escolho meu assento e espero meu destino, ao tempo em que preparo a trilha sonora para o trajeto dos meus sonhos e as cenas que seguem a cada ideia bonita que faço quando o tenho por perto, digo, em meu coração. Entendo que não passa de uma ideia simples, feliz e vaga, mas ainda assim é uma ideia... 

Sua ideia de ser belo é bonita. No entanto, 
a minha é ainda mais. (é só uma ideia)

sábado, 13 de junho de 2015

Arco de cor, ponto exclamação.

Estou colorindo um painel preto e branco que continua preto e branco, mas colorido. A moldura do quadro é subjetiva e todo o sentimentalismo está implícito em cores negras que na opinião de alguns olhares externos, são só negras. Misturo ao branco e faço um arco, e sua íris controla a entrada de luz, reflexão em cores. O prego que sustenta a moldura, não se vê. Não se vê, porque é cor e está negro. A cor que aparece no painel é colorida aos meus olhos, eu vejo cor e você enxerga somente o branco e preto, o óbvio, o retrato, o que se quer alcançar - nada de profundezas ocultas!, grita - mal sabe que tudo é perto da obviedade, dentro dos limites do subjetivo. É branco e preto e preto e branco, é luz na íris e sua visão que vai longe. Até onde se enxerga é até onde se quer enxergar. Espero preto e branco e me aparece mais do que espero, porque preto e branco é o assombro de cores que se mostram e se escondem quando cansadas. 
Espero o óbvio e renasço do subjetivo, sou cor, sou branco, sou preto e vivo.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Olhar sem ponto final

Olha-me devagar
Devagarzinho
Assim, como quem quer algo
Quer e não sabe
Olha-me devagarzinho 
De vagar pelos meus olhos 
E fixando-me aos seus 
Olha-me devagar
De modo que me olhe
Devagarzinho...
E muito mais do que aparento (ou mereço)
Olha-me devagar
Devagarzinho
Tem algo a mais 
Olha-me
Olha-me cativo 
E cativante eu serei 
Olha-me devagar
Devagarzinho
Sem pressa
Sem conversa 
Olha-me 
Não desvende (nem tente!)
Não conclua 
Olha! 
Me olha! 
Olha a mim! 
Sem pressa
Devagarzinho... 
Olha-me. 
E tenha paciência

sábado, 6 de junho de 2015

Fala sem ponto

Falem dos amores arredios, dos corações frios, gélidos de tanto amar. Falem das moças alvoroçadas que correm pelas calçadas quando veem um moço bonito chegar. Falem da vizinha que se mudou segunda, que casou na terça e separou na quarta, só por causa do seu bem estar. Falem das crianças que brincam nas ruas, dos rapazes que desejam que as meninas sejam suas, dos relógios e relógios que batem sem parar. Falem de Maria, de Joana, de José, Fulano e Cicrana, falem por falar. Falem que eu nem ligo, de todo mal eu abdico, podem continuar a falar...

Três pontos de lamentação

Há um tempo e um momento para cada coisa, para cada caso.
Cada dia é dia de ser novo, mas ser quem?
Há um dia para cada tormento
E um lamento a cada passo, para todo descompasso.
Há dias, há tempos tem sido assim:
Não há quem resista, há quem complica e não entenda.
Há quem lamenta e desconcentra.
Há quem espera... e só.

Depois do ponto de ônibus

Eu vejo as casas passando
E o Sol clamando por atenção
Vejo as nuvens se dissipando no céu
Eu vejo...

Em pequenos laços de memória a vida se esvai
Eu vejo o dia virando noite
E a noite cada vez mais brilhante
De longe eu vejo a Lua
Eu vejo...

Tanto que vejo
Tanto que penso, são tantas as coisas que sinto
Enquanto tudo se vai, eu fico
Mesmo sendo eu o passageiro
Quem passa ligeiro não sou eu

Eu vejo tudo por uma janela
Por uma fresta de vida
Eu sinto o vento nos cabelos
E mais adiante eu vejo...

Vejo esse meu destino que não tarda a chegar
Passa ligeiro
E eu, passageiro
Um dia chego lá!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Passa a vírgula e tem mais problema.

Dos diversos problemas que o Brasil enfrenta, não seria o conjunto urbano e social um fator exclusivo para que não pudesse ser encaixado na categoria: INFELICIDADE. Sim, tamanha deve ser a infelicidade daquele que vive aqui, inclusive eu, exposto a todo tipo de fúria enigmática que se traduz em soluções desastrosas do avanço social e, consequentemente problemático. Vejamos os fatos: falta de planejamento base para promoção do controle desordenado das cidades, que promove os grandes centros como áreas inacessíveis devido ao seu encarecimento (para alegria dos pobres, olha só que beleza!), contribuindo assim, para que se busque por moradias mais distantes e mais acessíveis (sim, estou me referindo ao custo financeiro, até porque ‘não vejo’ incomodo algum em atravessar o Rio São Francisco se, somente se, do lado oposto tiver uma moradia FREE. O que acham?).
Não bastasse a dificuldade para com o acesso às áreas de maiores produções e qualidades, uma numerosa parte dos trabalhadores possuem salários baixíssimos e para sua formosa infelicidade: o transporte público é um desastre, precário, tais zonas segregadas não contam com o saneamento básico e o asfalto e, para reforçar, os índices de violência estão lá no topo.
Falando em topo, que acham das favelas? Conjunto 'infeliz' da parte esquecida e desestruturada das cidades do meu Brasil. Ô beleza! Desemprego, falta de planejamento urbano, concentração de renda, invasão de áreas inapropriadas, desfavoráveis à habitação, a exemplo dos morros.
O Brasil brasileiro está transbordando de problemas, não é verdade? Por falar em transbordar, toda essa conversa desestruturada também se relaciona à agressão ao meio ambiente, um de seus prodígios são as enchentes que podem sim ocorrer tendo ou não a interferência humana, mas que na maioria dos casos, por falta de planejamentos urbanísticos, loteamentos, poluição, impermeabilização do solo, a água não encontra saída e simplesmente, transborda. Transborda para dentro de nossas casas, inundando nossas salas e queimando aquela televisão que só tinha sido paga a primeira parcela, apodrecendo a madeira do sofá (o sofá que se costumava sentar todas as noites para assistir à novela das 8 na televisão que só tinha uma parcela paga e que queimou numa enchente que adentrou a humilde residência).
Agora, peço perdão, mas já estou indo. Se for mesmo para listar todas as infelicidades desses, inclusive eu, brasileirinhos, eu passaria a madrugada, o ano ou sabe Deus o tempo para falar tudo. E assim, quando já estivesse prestes a terminar, surgiria mais algum só pra enfatizar que problema todo mundo tem, inclusive nós, brasileirinhos. Não é verdade? 


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Ponto de rotação

Tinha uma borboleta na minha escada
Mas o vento a tirou para dançar
Agora ela já não está mais lá

Que faço sem borboleta
Se com o vento ela insiste rodopiar?
Pousa, borboleta, repousa
Me permite a valsa
E vem pra escada que é seu lugar

Se borboleta repousasse
E fizesse da escada um lugar para morar
Eu que rodopiava
E procurava um lugar para me achar

Borboleta se foi...

(Borboleta precisava de morada, e é claro que nem toda morada é prisão. Ela poderia ficar na escada se a escada a fizesse feliz... mas acho que não.)

quarta-feira, 3 de junho de 2015

De uma aula com vários pontos de interrogação...

Convém frisar que não é sempre assim. Vez em quando aparece algo ou alguém, resposta ou solução que te faz sair da mesmice. Vez em quando os ventos sopram a favor e deixo-me levar... Não que eu me leve assim, vez em sempre que o vento sopra. Mas, de vez em quando algo acontece e me permito aceitar, permito que adentre o meu coração e ele se deixe habitar. Vez em quando é de vez em sempre, sempre que de vez em quando algo bom resolve acontecer de vez em nunca. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Silêncio que grita é ponto!

Falo ou não falo, digo ou não digo, calo ou não me calo... ? Calei. 
Abri a porta, fechei a porta, saí, entrei, voltei. 
Falo ou não falo, digo ou não digo, calo ou não me calo... ? Não sei.
Falou, falou comigo.
Respondo ou não respondo, não respondo e não respondo... digo: Olá.
Olá, recebi de volta. E agora?
Falo ou não falo, digo ou não digo, calo ou não me calo... Tudo bem?!
Respondi, respondi, respondi: Não sei... digo (que desastre!, pensei), tudo.
Que desastre, que desastre, que desastre! - Tem certeza?
Deus meu, falo ou não falo, digo ou não digo, calo ou não me calo... ?

(?) 

(?)...

(?)..............

Eu sei, não sei. Calei.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ponto de chuva

Chove lá fora. Te contei?
Chove algo que não é chuva, que não é coisa nem outra.
Chove lá fora. Já te contei.
Chove muito e muita coisa e coisa e tanta que mesmo se eu te contasse (já contei?) você não entenderia...
Chove lá fora. É sério, chove mesmo! 
Transborda chuva por tudo que é lado (debaixo do guarda chuva, na rua, na casa e no coração) e entope (o bueiro, o carro, o moço e a menina que está apaixonada pelo moço, mas me jure que não conta isso a ninguém não).
Chove lá fora. EU SEI, EU JÁ TE CONTEI!
Mas chove tanto, e coisa e outra e coisa e tanta que chove e chove e chove. 
E você não entenderia. Não...
Chove lá fora.
Dessa vez é sério, juro. 
Chove água, chove chuva, chove o moço na calçada e a menina que apaixonada (não diga que te contei) corre em sua direção.
E transborda.
E alguma coisa entope. Não sei se o moço ou a menina, se a casa ou o coração ou até mesmo o bueiro que está cheio de chuva e coisa e tanta e coisa e outra que chove e chove e chove.

Pronto, entupiu!